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  • Duonísios

As vitrines


... Houve até muitas pessoas que se afogaram num espelho. Ramon Gómez de La Serna, Gustave l'incongu

Foi preciso parar totalmente o corpo para que ele e eu pudéssemos compreender o que era estar naquele lugar de contemplação. Através de seus corredores escuros e luz somente nos aquários/vitrines pensados estrategicamnete para melhor visualização dos animais expostos, percebo uma passarela de pessoas/vitrines.

Tudo é muito rápido. Mal se começa a olhar um aquário já se passa para outro como se fosse uma espécie de corrida de obstáculos para se chegar ao final. Mas afinal, que final é esse? O final do passeio? Este não deveria durar o maior tempo possível para podermos desfrutar mais e melhor? E quando voltarmos para casa rememorarmos cada detalhe daquele dia de lazer.

Essas pessoas/vitrines vivem para o momento seguinte, nunca o presente.

A contemplação da vida e da natureza perdeu lugar para a praticidade e a velocidade. Viver cada minuto nos faz perceber nosso lugar no mundo, nossas vontades, nossos receios, dificuldades e memórias que nem sempre são fáceis de se lidar. Se olhar no espelho está cada vez mais difícil para nossa sociedade...

As vitrines/aquários refletem como espelhos. De observadores passamos a ser observados. Por nós mesmos.

Reparo nas crianças. a maioria delas ainda sobrevive a esse desvario. Prestam atenção a tudo. Notam o diferente, e não tem medo do próprio reflexo.

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© 2015 Jeanice Ferreira

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