tempos modernos jeanice ferreira

O PROJETO

AH, O TEMPO!

Duas personagens interagem com o espaço e o tempo em ruas, parques e edifícios para criar um contraponto à aceleração constante da vida cotidiana.

 

Em torno dessa proposta premiada no 4º Edital de Apoio a Projetos Independentes do Município de Santos para obter recursos do Fundo Municipal de Cultura (Facult), os realizadores partem do empréstimo do título do filme de Charles Chaplin para sugerir ao público, por contraste, a manter um olhar sensível à percepção do tempo.

 

TEMPOS MODERNOS teve início em fevereiro de 2012, com intervenções realizadas na Pinacoteca Benedito Calixto e na Rua XV de Novembro por Jeanice Ferreira e Tatiana Andrade Pacheco. A edição atual reúne Jeanice Ferreira e Alessandro Atanes.

 

As apresentações acontecem entre agosto e setembro de 2015, com ações planejadas para acontecer em espaços públicos e pontos históricos da cidade como a Bolsa do Café, o Bonde Histórico, o prédio da Alfândega, a Pinacoteca e as alamedas dos jardins da praia, entre outros locais.

 

Justificativa

Assim como a época descrita no filme “Tempos Modernos”, passamos hoje por uma nova fase de promessas do progresso. É o que ocorre, por exemplo, com a tecnologia digital. Apesar das funcionalidades úteis para a criação humana, o uso de smartphones, tablets e outros aparelhos estimulam uma ansiedade que se verifica no acesso contínuo a serviços e redes sociais, como se todos estivessem perdendo algo se não tiverem conectados. Essa busca incessante acelera ainda mais o tempo, tornando ainda mais aguda nos dias de hoje a crítica do filme de Chaplin.

 

Foi o que ocorreu na virada do século XIX para o século XX, uma promessa que se mostrou ilusória ao tornar utopia controle. E a humanidade se deixou engolir pela máquina como na célebre cena do filme,

 

Esse descompasso é explorado formalmente pelos integrantes da intervenção a partir da filosofia e da estética presentes no filme de Chaplin. Tal obra apresenta o retrato de uma sociedade massificada e em crise, onde o indivíduo dificilmente encontra seu lugar.

 

TEMPOS MODERNOS traz aspectos do filme, como a presença constante dos relógios marcando a submissão ao tempo, o figurino e gestual de época, e a fotografia em Preto & Branco.

Os interprétes promovem o deslocamento e a desaceleração do tempo por meio da simplicidade dos gestos e sensações e pela escolha de cenários urbanos cuja arquitetura remeta àquela época.

 

O deslocamento no espaço é lento, com gestos sutis e delicados, longas pausas contemplativas.

 

A proposta das intervenções urbanas utiliza figurinos inspirados na década de 1930, período no qual chega ao fim as grandes transformações urbanas que tiveram início no final do século XIX (ver ANDRADE e LANNA) em Santos criando, propositadamente, um contraste com o ambiente urbano atual, saturado de poluição sonora e visual.

 

Referências

 

ANDRADE, Wilma Therezinha Fernandes. O discurso do progresso: a evolução urbana de Santos 1870-1930. Tese de doutorado em História Social. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 1989.

 

BAUDELAIRE, Charles. Sobre a modernidade. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1996. 70p.

 

CHAPLIN, Charles. História da minha vida. 3ª ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1965. 512p.

 

LANNA, Ana Lúcia Duarte. Uma cidade na transição. Santos: 1870-1913. Campinas/ Santos, Editora Hucitec/ Prefeitura Municipal de Santos, 1995.

 

LECOQ, Jacques. O Corpo Poético. Uma Pedagogia da Criação Teatral. São Paulo: Senac São Paulo : Edições SESC SP, 2010.

 

RIAMBAU, Esteve. Tempos Modernos. Os Grandes Filmes de Chaplin. Vol.2. Barcelona, 1997.

 

RUSSEL, Bertrad. Elogio do Lazer. Rio de Janeiro: Zahar, 1977.

 

Filmes em DVD

Boulevard do Crime / Les enfants du Paradis. Dir. Marcel Carné. Preto e Branco, 190 min. Pathé, FRA, 1945.

 

Metropolis. Dir. Fritz Lang. Preto e Branco, 148 min. UFA Production / Paramount Pictures, ALE, 1927.

 

Tempos Modernos / Modern Times. Dir. Charles Chaplin. Preto e Branco, 87 min. United Artists, EUA, 1936.

© 2015 Jeanice Ferreira

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